domingo, 20 de maio de 2018

Semana André Carneiro cresce a cada edição




















Nessa quinta edição, que aconteceu de 05 a 11 de maio de 2018, a Semana André Carneiro foi especial. Meses antes, em fevereiro, a cidade ganhou o Centro Cultural André Carneiro - um marco na cultura do município. O nome não poderia ser mais apropriado e reforça a importância em dar visibilidade ao nome e a obra de nosso artista mais representativo. As ações da Semana André Carneiro certamente contribuíram para isso, fato que nos alegra e motiva.



A Semana teve sua abertura oficial no sábado, dia 05 de maio, às 19 horas, no próprio Centro Cultural André Carneiro - local que passa a abrigar a partir de agora as edições seguintes. A cerimônia foi conduzida pela escritora Juliana Gobbi, que fez a apresentação das autoridades, organizadores e familiares do homenageado ao público presente. O Secretário de Cultura e Eventos Rui Tiago Oliveira abriu a noite falando da importância da Semana e da sua continuidade. Henrique e Mauricio Carneiro, filhos do André, destacaram a obra e a vida do pai como artista e morador da cidade. Márcio Zago, idealizador e curador da Semana, falou das exposições “EspaçoPleno” e “Colagens/Poemas”, lembrando tratar-se de material inédito em Atibaia.  Falou ainda do lançamento dos “Cadernos da Semana” e da importância do “1º Prêmio Semana André Carneiro de Literatura – categoria poesia” como forma de estímulo a participação de artistas locais e regionais na programação do evento. Em seguida foi apresentado o espetáculo “O Brasil do André”, com direção de Juliana Gobbi e texto de Gilberto Sant’Anna. Nele os músicos Flávio Rodrigues e Cristiane Barbosa perfizeram a trajetória musical do tempo em que André Carneiro viveu em Atibaia, permeado de fatos históricos da cidade e do país.




No domingo, dia 06 de maio, às 17 horas, houve leitura de poemas pelo escritor Carlos Alberto Pessoa Rosa ao público presente. A ação aconteceu no espaço externo do Centro Cultural, reunindo no deck lateral um público atento à leitura que intercalava comentários e observações sobre cada tema apresentado. Em seguida os ouvintes foram convidados a entrar no espaço interno onde acorreu uma intervenção cênica com alguns integrantes do projeto As Linguagens da Dança, do IAC Garatuja. A performance propunha uma livre interpretação do poema “Sangue”, do livro EspaçoPleno editado em 1963.




Na segunda-feira, dia 07 de maio, às 16 horas a continuidade foi com a oficina “André na Rua”, proposta do poeta Thiago Cervan. A atividade aconteceu na Escola Carlos José Ribeiro e envolveu cerca de vinte e cinco jovens que trabalharam o estêncil e suas aplicações no ambiente urbano. Foi a primeira vez que houve uma atividade educacional dentro de escola utilizando como temática o artista atibaiano.




Terça-feira, dia 08 de maio, às 19 horas, com ausência da educadora Josette Manzani – da UFSCAR, a proposta “Cinema Comentado” foi substituída pela exibição de filmes produzidos em Atibaia por integrantes do grupo cultural formado nos anos cinquenta e liderados por André Carneiro. Foram exibidas quatro curtas metragens, que foram analisados e comentados pelo público presente após a exibição. A noite contou com a presença de vários alunos do EJA, da Escola Carlos José Ribeiro, assim como da Lina, ex-mulher do André, que marcou presença em quase todos os eventos.



Na quarta-feira, dia 09 de maio, às 19 horas, aconteceu a palestra “André Carneiro – De Atibaia para o mundo”, proferida pelo editor Silvio Alexandre. De maneira didática e utilizando-se de farto material visual, o palestrante resumiu a rica trajetória de André Carneiro e sua importância para a cidade. O publico presente, em sua maioria de escolas públicas, pode conhecer as várias facetas do artista e sua relação com a cidade.



Na quinta, dia 10 de maio, às 19 horas, aconteceu um “Bate papo”, ou roda de conversa, sobre a influência de André Carneiro na formação cultural do município com a presença de Gilberto Sant’Anna, Nelson de Souza, Juliana Gobbe, Carlos Alberto Pessoa Rosa, Araceles Stamatil, Diva Passador, Irma Vasquez e outros. O bate papo foi gravado e preserva importantes depoimentos de amigos e colegas que conviveram com André Carneiro em Atibaia e acompanharam muitas das ações protagonizadas por ele em diferentes áreas de atuação.



Encerrando a programação, na sexta, dia 11 de maio, às 19 horas, foi exibido o vídeo “Coleção Centenário de Oswald de Andrade”, com depoimento de Dulce Carneiro falando da influência de Oswald em sua formação artística. Dulce, irmã do André, foi à homenageada dessa edição. Dulce Carneiro foi poeta, fotografa e pioneira no jornalismo de moda. Ela fez parte do grupo de artistas que na década de quarenta/cinquenta marcou de forma inquestionável o histórico cultural do município. Ao lado do irmão e do amigo César Mêmolo Junior, Dulce foi responsável pela criação de nosso maior patrimônio cultural erudito: O jornal Literário “Tentativa”. O vídeo foi cedido pelo MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo e constitui num raro material de pesquisa sobre a obra e o pensamento dessa grande e desconhecida artista de Atibaia.

Durante toda a programação a Semana contou com significativa presença de participantes para um evento que propõe voltar-se à formação de público.  As escolas E.E.Major Juvenal Alvim e E.E. Carlos José Ribeiro, através dos alunos do EJA, se envolveram com interesse nas propostas. Houve ainda marcante participação do público em conhecer melhor o artista atibaiano, alguns presentes todos os dias. No total tivemos cerca de 400 pessoas atingidas diretamente nos sete dias de evento. A exposição segue até o final de maio, aumentando sua abrangência. Foram sorteados diariamente vários Kits contendo os livros “André Carneiro Fotografias” e “Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas”. No total foram distribuídos 38 kits, ou 76 livros doados pelos familiares do André. A distribuição desse material faz parte da proposta inicial do projeto que é disponibilizar sua obra a um maior número de interessados.

A cada edição a Semana André Carneiro se firma como um evento que veio para ficar. Um passo importante nesse sentido foi iniciar o processo de criação de uma comissão de apoio formado por pessoas com afinidade e identidade com o projeto e o homenageado. Sem qualquer vínculo político partidário, a intenção é agrupar e fomentar a participação da sociedade civil na elaboração e realização das próximas edições da Semana André Carneiro garantindo sua continuidade e independência. Embora a iniciativa original tenha partido do Instituto Garatuja, através de seu fundador e atual curador, Márcio Zago, sua realização só é possível graças ao empenho da Prefeitura de Atibaia, através da Secretaria de Cultura e Eventos. Esse é um modelo de parceria que acreditamos conter garantias de continuidade para esse projeto frente às constantes instabilidades da área cultural.

Exposições "EspaçoPleno” e “Colagens/Poemas” seguem até o final do mês.


















Segue até o final de maio as exposições “EspaçoPleno” e “Colagens/Poemas”, no Centro Cultural André Carneiro. É uma boa oportunidade para quem deseja conhecer melhor a obra do artista atibaiano que mais influiu na formação cultural do município. EspaçoPleno propõe uma visão individualizada sobre as 29 pranchas que compõem o livro objeto de mesmo nome. Editado em 1966 pelo Clube de Poesia, EspaçoPleno é o segundo livro de poesia de André Carneiro. Mais que um livro, é um objeto de arte de confecção quase artesanal. A concepção visual foi do artista plástico uruguaio Luis Díaz, que separou cada poema em folhas avulsas acondicionadas numa caixa. As xilogravuras que ilustram os poemas foram impressas no processo tipográfico que imprime um caráter único a cada exemplar. Pela importância alcançada e sua reduzida quantidade, o livro encontra-se arquivado como “obra rara” na Biblioteca Nacional. O livro recebeu o Prêmio “Alphonsus de Guimaraens”, da Academia Mineira de Letras e tem o prefácio do escritor Domingos Carvalho da Silva. Saiba mais clicando aqui. A segunda exposição é Colagens/Poemas, onde o homenageado reúne duas de suas habilidades: a colagem e a poesia. São 30 pranchas montadas sobre Duratex no tamanho 30 X 40 cm realizadas nos anos oitenta e representam uma pequena parte da profícua produção de André Carneiro nessa técnica. André adorava recortar, colar e reinventar significados com diferentes materiais: páginas de revistas, fotos, papéis coloridos e outros. Fez isso durante toda vida e usou desse recurso para fazer capas de livro, ilustrações e quadros.  Esse material foi exposto somente no Sesc do Carmo em 1983, portanto inédita em Atibaia. Nelas a poesia e a colagem se fundem não como mera imagem ilustrando a palavra, mas numa perfeita integração.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Leitura dramatizada e performance na 5ª Semana André Carneiro.


Leitura Dramatizada com Silvia Mazulo

























No domingo, dia 06 de maio, às 17 horas acontece no Centro Cultural André Carneiro duas ações performáticas: Leitura Dramatizada de Silvia Mazulo e Performance com o Corpo Municipal de Dança de Atibaia, ambos sobre a obra do homenageado. Sobre o trabalho de Silvia Mazulo, a Semana destaca que é o momento em que se pretende enfatizar com leitura dramatizada a obra do autor num movimento que caracterize suas poesias no universo incerto ao qual se debruçou. A poesia de André Carneiro sempre esteve em chamas. Em seus versos a memória e o tempo dançam e aventuram-se intensamente no enredado da existência. Nos entremeios das imagens e sons vão-se embora com as letras nosso quase respirar. Tudo no mestre das palavras enaltece a paixão pelos momentos, sejam eles presentes, passados ou futuros. No intuito de avivar com a leitura dramatizada a obra do poeta a atriz e diretora teatral Sílvia Masulo vai tecer através da voz as rendas da poesia de um talento visceral performatizando a escrita poética do autor de maneira a através da leitura interagir com o público presente. A performance da Escola Municipal e Corpo Municipal de Dança de Atibaia trabalha na releitura do poema “Sangue”. Poderá haver debate após a apresentação.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Espetáculo O Brasil do André, na abertura da 5ª Semana André Carneiro.

Por Juliana Gobbe

Trata-se de um espetáculo que tenciona descortinar com um show permeado por fatos históricos nacionais e locais a aura reinante à época do jovem artista André Carneiro. O evento vai rememorar a era do rádio ecoando na ainda pequena Atibaia, bem como na vivência do artista em suas relações com a sociedade vigente. A obra de André Carneiro traduz-se em homenagens sinceras, pois nela encerra-se o calor da poesia calcada no correr do tempo. A Semana que o exalta todos os anos só acrescenta luz aos livros e pensamento do artista. Na tentativa de trazer à tona os acontecimentos das décadas em que André viveu e produziu, o show O Brasil do André com os músicos Flávio Rodrigues e Cristiane Barbosa abarca através de canções a história do Brasil confundindo-se com a rica trajetória do artista dos “sete instrumentos”. Com auxílio dos textos de Gilberto Sant’Anna e direção artística de Juliana Gobbe o espetáculo fará parte da abertura da Semana André Carneiro. Agendem!


No ensaio para o show O Brasil do André para a 5 Semana André Carneiro.
Alegria e honra em poder fazer a direção artística do espetáculo com a dupla
Cristiane Barbosa e Flávio Rodrigues tendo o auxílio luxuoso
do texto de Gilberto Sant'Anna. Aguardem!!!!


















terça-feira, 24 de abril de 2018

Exposições inéditas em Atibaia na 5a Semana André Carneiro.

As exposições ficam abertas até o final de maio no Centro Cultural André Carneiro.








































Na programação da 5ª Semana André Carneiro acontece duas exposições paralelas. A primeira é EspaçoPleno, que propõe uma visão individualizada das 29 pranchas que compõem o livro objeto de mesmo nome. Editado em 1966 pelo Clube de Poesia, EspaçoPleno é o segundo livro de poesia de André Carneiro. Mais que um livro, é um objeto de arte de confecção quase artesanal. A concepção visual foi do artista plástico uruguaio Luis Díaz, que separou cada poema em folhas avulsas acondicionadas numa caixa. As xilogravuras que ilustram os poemas foram impressas no processo tipográfico que imprime um caráter único a cada exemplar. Pela importância alcançada e sua reduzida quantidade, o livro encontra-se arquivado como “obra rara” na Biblioteca Nacional. O livro recebeu o Prêmio “Alphonsus de Guimaraens”, da Academia Mineira de Letras e tem o prefácio do escritor Domingos Carvalho da Silva. A segunda exposição é Colagens/Poemas, onde o homenageado reúne duas de suas habilidades: a colagem e a poesia. São 30 pranchas montadas sobre Duratex no tamanho 30 X 40 cm realizadas nos anos oitenta e representam uma pequena parte da profícua produção de André Carneiro nessa técnica. André adorava recortar, colar e reinventar significados com diferentes materiais: páginas de revistas, fotos, papéis coloridos e outros. Fez isso durante toda vida e usou desse recurso para fazer capas de livro, ilustrações e quadros.  Esse material foi exposto somente no Sesc do Carmo em 1983, portanto inédita em Atibaia. Nelas a poesia e a colagem se fundem não como mera imagem ilustrando a palavra, mas numa perfeita integração.  A apresentação da Mostra será do escritor Carlos Alberto Pessoa Rosa, que chama a atenção para “a sensualidade apresentada através da nudez, traço marcante na estética do autor, e que tem a força do viver, seja a do corpo feminino, seja a da natureza. No agora exposto, tanto nos poemas quanto nas imagens, tudo sugere que ‘no sensível’ não há espaço para gêneros, é tudo uma única coisa, uma máquina em contínuo exercício do gozo”.

Saiba mais clicando aqui.





domingo, 22 de abril de 2018

Programação da 5ª Semana André Carneiro 2018


Acompanhe as atrações da 5a Semana André Carneiro. Programe-se e Participe!


Dia 05 de maio- sábado - 19 horas
Centro Cultural André Carneiro
Abertura oficial do evento.
Abertura das exposições: Colagens/Poemas, onde o homenageado reúne duas de suas habilidades: a colagem e a poesia. São 30 pranchas montadas sobre Duratex no tamanho 30 X 40 cm realizadas nos anos oitenta. Obra inédita em Atibaia.

EspaçoPleno – Mostra que reúne cerca de 20 pranchas/poemas contidas na edição semi-artesanal do livro de mesmo nome. EspaçoPleno é um livro-objeto editado no início dá década de sessenta e hoje catalogado como obra rara na Biblioteca Mário da Andrade. A edição teve o projeto gráfico e ilustrações em xilogravura do artista plástico uruguaio Luis Díaz.

Lançamento simbólico do Caderno da Semana André Carneiro - Pelo quarto ano consecutivo será confeccionado os Cadernos da Semana, produção artesanal e barata, com esmerado acabamento visual, que tem o propósito de materializar assuntos referentes à Semana. Nessa edição serão lançadas duas edições. A de número 3, de 2017 e a número 4, desse ano. Elas serão distribuídas posteriormente as bibliotecas da cidade e região.

Lançamento do 1º Prêmio Semana André Carneiro de Literatura – categoria poesia. A ideia é criar envolvimento entre artistas locais e regionais de forma a mobilizar a classe artística, não só como espectador, mas também como participante efetivo da Semana. Haverá uma premiação em dinheiro e o  regulamento, assim como as inscrições  estarão disponíveis em breve no site da Semana, que terá uma aba específica para essa função.

Espetáculo O Brasil do André - Trata-se de um espetáculo que tenciona descortinar com um show permeado por fatos históricos nacionais e locais a aura reinante à época do jovem artista André Carneiro. O evento vai rememorar a era do rádio ecoando na ainda pequena Atibaia, bem como na vivência do artista em suas relações com a sociedade vigente. Para tanto, os artistas Flávio Rodrigues e Cristiane Barbosa estão escalados juntamente com o advogado e historiador Gilberto Sant’Anna sob direção de Juliana Gobbe na perspectiva de trazer ao público de forma lúdica o clima dos anos 40 do século XX.

Dia 06 de maio - domingo - 17 horas
Centro Cultural André Carneiro
Leitura dramatizada.  Este momento da Semana André Carneiro pretende enfatizar com leitura dramatizada a obra do autor num movimento que caracterize suas poesias no universo incerto ao qual se debruçou. Para tanto contaremos com a experiência e talento da atriz Sílvia Masulo para performatizar a escrita poética do autor de maneira a através da leitura interagir com o público presente. Poderá haver debate após a apresentação.

Performance do Garatuja - Com os integrantes do Corpo Municipal de Dança de Atibaia sobre obra poética de André Carneiro.

Dia 07 de maio - segunda - 16 horas
Escola Carlos José Ribeiro
Oficina de estêncil: André na Rua. A oficina irá trabalhar questões que envolvam texto, imagem e intervenção urbana através da técnica do stencil. A partir do contato com a obra de André Carneiro as/os participantes coletarão enxertos poéticos de sua autoria a fim de interferirem no espaço urbano. A oficina terá a coordenação do artista plástico e poeta Thiago Cervan. Os interessados podem se inscrever através do site. Vinte vagas disponíveis por ordem de chegada.

Dia 08 de maio - terça - 19 horas
Centro Cultural André Carneiro.
Cinema Comentado com Josette Monzani. Após exibição pretende-se nessa palestra discutir a visão da metrópole no filme Se nada mais der certo (2008), do cineasta José Eduardo Belmonte, e a agonia do homem moderno emblematizada em uma cidade engolidora de cidadanias e geradora de travestimentos múltiplos. Irá se traçar algumas considerações sobre o olhar, o sentir e o refletir na contemporaneidade a partir da experiência cinematográfica exemplificada pelo filme escolhido que tem a cidade de São Paulo como pano de fundo. A Profa. Dra. Josette Monzani nasceu e cresceu em Atibaia. É professora de cinema do Bacharelado e do Mestrado em Imagem e Som da UFSCar, São Carlos, com Pós-Doutorado em Cinema pela ECA-USP, SP.  Coordena o grupo de pesquisa "Cinema e Comunicação" do CNPq.

Dia 09 de maio - quarta - 19 horas
Centro Cultural André Carneiro.
Palestra André Carneiro: De Atibaia para o Mundo com o editor Silvio Alexandre. André é o autor de ficção científica brasileira com maior destaque internacional, com contos e romances publicados em 16 países. Considerado o melhor autor e referência de literatura fantástica na América Latina. Foi através da sua obra que a ficção científica do Brasil ganhou notoriedade no exterior. Silvio Alexandre é editor e gestor cultural com formação em Letras pela USP. Trabalha como consultor editorial e parecerista, além de desenvolver projetos editoriais junto a várias editoras.

Dia 10 de maio - quinta - 19 horas
Centro Cultural André Carneiro.
Bate papo - A influência de André Carneiro na formação cultural do município. Participação de amigos e admiradores do homenageado como Gilberto Sant’Anna, Nelson de Souza, Araceles Stamatiu, Euclides Sandoval, Juliana Gobbe, Carlos Alberto Pessoa Rosa e outros.

Dia 11 de maio - sexta - 19 horas
Centro Cultural André Carneiro.
Fechando a programação, teremos a exibição do vídeo Coleção Centenário Oswald de Andrade, com depoimento de Dulce Carneiro falando da influência de Oswald em sua carreira. Dulce, irmã do André Carneiro, é a homenageada dessa edição. Dulce foi poeta, fotografa e jornalista de moda. Ela fez parte de um grupo de artistas formado na década de quarenta/cinquenta em Atibaia que produziu, ao lado do irmão e do amigo César Mêmolo Junior, o nosso maior patrimônio cultural erudito: O jornal Literário Tentativa.

sábado, 21 de abril de 2018

Dulce Carneiro, a desconhecida artista de Atibaia.

Dulce Carneiro na foto de Tufy Kanji - 1958






































De 05 a 11 de maio acontece a quinta edição da Semana André Carneiro - realização da Secretaria de Cultura e Eventos de Atibaia e do Instituto Garatuja. A grande homenageada será Dulce Carneiro, artista falecida em fevereiro desse ano. Dulce foi à última expoente do movimento cultural de vanguarda formado no final da década de quarenta em Atibaia. Escritora, fotógrafa e jornalista de moda, Dulce participou ativamente dos acontecimentos culturais daquele período. Embora jovem, teve importância fundamental na criação de inúmeras ações que deixaram sua marca na formação cultural do município. O pintor Aldemir Martins, em inicio de carreira e também participante desse movimento descreve seu primeiro contato com ela: Como os artistas acabam se encontrando, conheci a Dulce Carneiro. Uma menina linda de vestido de crochê, falando francês e inglês, familiarizada com os grandes movimentos artísticos do mundo. Uma intelectual. Qualidades que também chamaram a atenção de Oswald de Andrade. Em sua coluna “Telefonema”, que mantinha no jornal carioca Correio da Manhã, publica em outubro de 1949: Como ficou a escola mineira na nossa literatura, ficará sem dúvida, o que eu chamo de Escola de Atibaia, o melhor esforço de cristalização da nossa poesia atual. Parece fábula, mas não é. No cocuruto da Serra do Juqueri (esse nome indica a capital da loucura paulistana), no minúsculo burgo de Atibaia, três poetas existem. São eles: Dulce e André Carneiro e César Mêmolo Junior. Para aí um ano atrás fomos arrebanhados pelo Clube da Poesia num show de que foi astro José Geraldo Vieira. Desde então o nosso contato com os três poetas tem sido contínuo. E verificamos que, particularmente Dulce Carneiro é dotada de uma excelsa capacidade de poesia... Ainda em 1949 os três poetas lançam em Atibaia o Jornal Literário Tentativa, nosso maior patrimônio cultural erudito. Embora liderado pelo irmão André, sete anos mais velho, Dulce teve participação ativa em sua produção. Oswald de Andrade dedica a ela sua apresentação nesse jornal: Minha doce poetisa Dulce Carneiro: Vou tentar explicar a você para que você tente explicar aos outros que em vão tentei encartolar uma apresentação de revista. De modo que se você quiser, publique esta carta que me desobriga de qualquer outro prefácio à obra polêmica e lírica que querem vocês tentar. De Atibaia, guardo primeiro você. Depois, a torre espigada e nos hotéis de veraneio, o short largo de uma funcionária em férias... E arremata O Brasil possui um grande poeta – Cassiano Ricardo. E uma poetisa – você!. Em 1953 Dulce Carneiro publica Além das Palavras, livro editado pelo Clube da Poesia. Na contra capa um desenho de Aldemir Martins e a apresentação: Entre os nomes de maior prestígio que formam o grupo dos poetas novíssimos de São Paulo, destaca-se o de Dulce Carneiro, jovem integrante da reduzida e brilhante equipe que editou, durante dois anos, em Atibaia, o periódico literário “Tentativa”. Filha dessa pequena e recatada cidade, Dulce Granja Carneiro não se conformou com os estreitos limites que, em geral, oferece o ambiente provinciano dos municípios do interior. Seguindo os passos do irmão, o poeta André Carneiro, começou logo depois da publicação dos seus primeiros poemas a participar da vida social e literária da Capital de São Paulo.... Nos fins dos anos cinquenta Dulce mantinha a coluna “Uma Crônica por mês” no jornal O Estado de São Paulo. Numa delas revela sua segunda paixão: a fotografia. Influenciado pelo irmão André, aos onze anos começa a fotografar e aos trinta se profissionaliza. Extremamente técnica, especializou-se em fotografia portrait de grandes empresários, homens de negócios, artistas, políticos e demais personalidades. Outra especialidade de Dulce Carneiro foi à fotografia de arquitetura e engenharia de grandes obras como hidrelétricas, usinas siderúrgicas, usinas nucleares, minas de carvão, fábricas etc. Numa entrevista concedida ao Museu da Imagem e do Som, externou certa resistência à postura do “fotografo de parede”, forma que usava para definir a fotografia de autor, ligada somente a questão estética. Considera-se uma “operária” da fotografia e não fazia distinção entre sua profissão ao dos engenheiros e trabalhadores braçais das obras que fotografava. Com eles subia escadas, andaimes e comportas em busca da melhor imagem. Dulce Carneiro foi bastante conhecida, conceituada e requisitada na área, além de ser uma das primeiras a romper a hegemonia masculina dos grandes fotógrafos brasileiros. Nos anos cinquenta já ingressa no Foto Cine Clube Bandeirante, ambiente majoritariamente masculino. O Foto Cine Clube Bandeirante, existente desde 1939 surgiu da necessidade a burguesia paulistana criar um ambiente de distinção em relação a crescente popularização dos meios fotográficos que vinha do desenvolvimento industrial. Esteticamente havia uma preocupação em “ser diferente” do que era produzido de forma mais “popular”. A Intenção era aproximar-se ao máximo a fotografia das “Belas Artes”, retirando seu caráter de produção mecânica, interferindo diretamente na cópia fotográfica, aplicando manualmente um toque “artístico” e único a cada foto. Era a chamada estética pictorialista. Quando Dulce Carneiro, assim como seu irmão André, conheceram o Foto Cine Clube Bandeirante a proposta já era outra. Influenciados pelos movimentos de vanguarda da Europa e Estados Unidos, aos poucos o pictorialismo foi dando lugar ao surgimento da fotografia moderna no Brasil, principalmente através da chamada “Escola Paulista” que aconteceu no interior do Cine Foto Clube Bandeirante. Esse grupo era formado por jovens fotógrafos abertos a novas possibilidades expressivas, que viam a fotografia como um meio de expressão autônoma, tanto formal como estética. Faziam parte: Geraldo de Barros, José Yalenti, Tomas Farkas, German Lorca, Gaspar Gasparian e Eduardo Salvatore. André Carneiro e Dulce Carneiro também integravam o grupo. Gestrudes Altschul foi a primeira mulher a integrar o Escola Paulista de Fotografia. A partir de 1950 começa a surgir uma participação maior das mulheres nos boletins editado pelo Foto Cine Clube Bandeirante. Dulce Carneiro passa a assinar a sessão Inquérito – Intelectuais brasileiros respondem: Fotografia é Arte? Essa sessão propunha aproximar a elite intelectual brasileira da arte fotográfica. A primeira entrevista foi com José Geraldo Vieira. Dulce Carneiro tinha ainda outra paixão: A moda. Suas matérias eram publicadas no jornal O Estado de São Paulo, nos anos sessenta. Dulce, ao contrário do irmão André, mudou cedo de Atibaia. Faleceu na cidade de São Sebastião e não deixou filhos. Negativos fotográficos, recortes de jornais e outras memórias de sua produção artística foram destruídos por ela. Quase nada sobrou de uma vida dedicada à arte e a cultura, agora só revelada pelos curiosos pesquisadores que se propuserem a desvendar os encantos e os mistérios da alma humana.

Matéria publicada no ornal O Atibaiense de 21 de abril de 2018
Márcio Zago – Fundador do Garatuja e curador da Semana André Carneiro.